16 de febrero de 2018

Lacan Quotidien, par Jean-Daniel Matet, Claire Zebrowski, Nathalie Georges-Lambrichs, Domenico Cosenza, Anna Aromí, Sergio Garroni, Susana Strozzi.

https://www.lacanquotidien.fr/blog/2018/02/lacan-quotidien-n-766/


Chronique d’un désastre annoncé : la psychiatrie dévastée par Jean-Daniel Matet  

Commissions, débats, livres blancs, rien n'y fait : la psychiatrie publique se meurt. Trouver des coupables est simple, ils ne manquent pas. Les administrations successives de gouvernements successifs, de droite et de gauche, ont progressivement déstabilisé toutes les inventions que la situation de la psychiatrie exigeait depuis la guerre. Les psychiatres privés et publics, facilement divisés sur des options idéologiques, syndicales, voire thérapeutiques, sont peu enclins à dégager des solutions pérennes et cohérentes. Les personnels infirmiers, partagés entre l'ancienne soumission aux hiérarchies médicales et les nouvelles directives de leur cru, sont tentés de prendre la roue des directions hospitalières – qui pourtant ne veulent pas que leur bien. Cent quatre-vingts ans après sa mise en place, la fin d'une conception de la psychiatrie n'en finit pas de s'annoncer. 

Révolution
La reconnaissance du fou comme aliéné, comme malade, portée par les aliénistes a ouvert la voie de leur traitement. Au terme d’un très long débat de toutes les tendances de cette Assemblée nationale de la Monarchie de juillet, les lois d'internement décidèrent du traitement institutionnel à appliquer aux malades mentaux et imprimèrent pour plus d'un siècle un mode d'approche de la psychiatrie. De même que chaque village avait son église dans l'ancien régime, chaque département aurait sa prison et son asile : c’était une vraie conquête pour l'organisation sociale si l’on se souvient que « l'asile » accueillait les malades mentaux et toutes les formes de lâchage du lien social, de la misère extrême des vieillards dépendants aux handicapés de naissance. Une représentation nationale soucieuse d'une bonne organisation de la République française au sortir de la Révolution appuya les aliénistes et ce fut décisif. Une fois le projet national disparu, les psychiatres ne sont plus parvenus à convaincre ...

13 de febrero de 2018

Infancias en el escaparate, por José R. Ubieto


 
Las redes sociales están llenas de imágenes de niños y niñas, algunas puestas por ellos mismos y otras muchas expuestas por los progenitores. Sin olvidar millones de otras, de carácter pornográfico. Lo que más sorprende es que los padres ignoren muchas veces los riesgos que supone, además de no preservar su intimidad.

¿Ingenuidad, despiste, negligencia? Quizás hay una razón más poderosa, que desborda a menudo las intenciones de cada madre o padre. Es el espíritu de la época que nos empuja, sutilmente, a colonizar la infancia de manera acelerada por la vía de lo híper como patrón. Los adultos promovemos, cada día más, infancias y adolescencias hiperactivas, hipersexualizadas, hiperconectadas y al tiempo hipercontroladas.

Si tradicionalmente se “adoctrinaba” a la infancia en nombre de los ideales, hoy tratamos, más bien, de imponerles un modo de goce que es el nuestro, el adulto. Queremos que sean emprendedores, con una identidad sexual clara y precoz, incluso con posiciones políticas, dominadores de varios idiomas, creativos y atrevidos para apostar o arriesgarse. Que sean, al mismo tiempo, perfectamente evaluables en sus resultados. Como corresponde a nuestra “sociedad del rendimiento”.

Donde antes había el tabú y los velos del pudor y la vergüenza, hoy aparece la satisfacción como nuestra brújula a seguir. Goce que debe ser inmediato y que exige poner el cuerpo y su imagen, mostrarlo en el escapare global que son las redes sociales. Famosos como Serena Williams, Michael Phelps o Kim Kardashian han creado perfiles propios para sus hijos, pocos días después de nacer, en la red Instagram, haciéndose eco de una moda – los bebes instagramers- compartida por millones de padres y madres en todo el mundo. Algunas de estas cuentas resultan muy lucrativas para sus progenitores gracias a la publicidad con marcas, normalmente de productos para bebés. “Todos productores y consumidores” podría ser el lema que igualase así a adultos y niños, borrando las fronteras entre unos y otros.

Exponerlos, masivamente y sin tapujos, es privarles del “secreto” de lo infantil que es ante todo, como nos mostró Freud, un tiempo para comprender, un tiempo para hacer (se) preguntas más que para encontrar respuestas definitivas. Momento de juego y elaboración más que de trabajo productivo. Es también el tiempo en el que la sexualidad y la muerte se viven, pero necesitan ciertos velos antes de abordarlas directamente.

Publicado originalmente en La Vanguardia, edición del 29/01/2018

8 de febrero de 2018

CLIPP: Entrevista com Ruth Gorenberg




Por ocasião do VIII ENAPOL, no dia 15 de setembro de 2017, em Buenos Aires, a CLIPP entrevistou Ruth Gorenberg, membro da EOL e autora do livro "La música de lalengua. Incidencias del objeto voz en la clínica psicoanalítica", a respeito do qual falará em uma atividade na CLIPP em março próximo.

Ruth discorreu sobre seu percurso na psicanálise, o livro e suas ressonâncias, o objeto voz e suas articulações.

Vale a pena conferir e aguardar sua vinda para a CLIPP.

Boa leitura!










CLIPP: Ruth, você poderia falar do seu percurso na psicanálise antes de conversarmos sobre o livro?

Ruth Gorenberg: Estudei medicina. Sou médica psiquiatra. A psiquiatria estava muito marcada por um mandato paterno: meu pai era psicólogo, então eu "tinha" que ser médica. Eu gostava de filosofia, de literatura, música, arte, mas foi necessário me analisar para fazer meu caminho. Fiz minha formação em um serviço de psiquiatria dinâmica, ou seja, já havia uma orientação psicanalítica, não lacaniana, mas com um toque inglês. Fiz uma análise de orientação kleiniana por vários anos e depois, lentamente, fui me interessando pela orientação lacaniana.

CLIPP: Hoje você trabalha com psiquiatria e psicanálise juntas?

Ruth Gorenberg: Exatamente. Com o tempo, com a análise, fui encontrando uma maneira de articular, porque durante algum tempo estive brigada com a psiquiatria e com o ser médica. A partir da análise, pude encontrar uma maneira de utilizar este instrumento, a psiquiatria, quando é necessário. Aproximei-me da Orientação Lacaniana, da Escola, há aproximadamente vinte anos. Comecei no Instituto Clínico de Buenos Aires (ICdeBA), me diplomei, depois entrei para a PAUSA (Psicoanálisis Aplicado a las Urgencias Subjetivas de la Actualidad). Trabalhei como psiquiatra e como orientadora vários anos. Logo, ingressei como membro da EOL (Escuela de la Orientación Lacaniana) e alguns anos depois entrei no Mestrado em Clínica Psicanalítica. Trata-se de um Mestrado que se desenvolve no âmbito de uma universidade pública: a UNSAM (Universidad de San Martín). Este Mestrado é um convênio entre o Instituto Clínico de Buenos Aires (ICdeBA) e o Instituto de Altos Estudios Sociales (IDAES) e suas diretoras são Graciela Brodsky e Ines Sotelo. Entrei na primeira turma e já estamos na sétima.

CLIPP:Universidade pública?

Ruth Gorenberg: Sim, a Universidade de San Martín. Isso foi uma conquista política muito importante da EOL e do Instituto Clínico de Buenos Aires: poder entrar na universidade pública com um mestrado e que se mantém com muitos mestrandos. Meu livro La música de lalengua é minha tese de mestrado.

CLIPP: Assim já nos introduzimos no livro...

Ruth Gorenberg: Exatamente. Esse foi meu tema de mestrado e, na realidade, é a tese tal como a apresentei. Apenas o prólogo de Miquel Bassols foi feito posteriormente. É toda uma questão a escolha do tema de tese, né? Como chegar a um tema, qual tema trabalhar, como reduzir a um tema. Escolhi um tema, mas não deu certo, achei que não podia seguir adiante. Miquel Bassols teve muita influência no meu tema de tese porque fui escutando o que ele falava em distintas apresentações, lendo seu blog, e entendi que ele tinha um interesse especial pelo objeto voz. Casualmente nas jornadas da EOL, ano retrasado, chamada Solos y Solas, houve uma proposta de fazermos uma banda musical e me convocaram, a mim e a outros colegas que fazem música. Fizemos uma banda para o encerramento das Jornadas e pedimos ao Miquel que tocasse violão. E ele tocou, está no YouTube!

CLIPP: Não há muitas coisas sobre o tema do objeto voz, não é?

Ruth Gorenberg: Não muitas, mas muitas referências valiosas. Um texto de Jacques Alain Miller, "Lacan y la voz", tem me orientado muito. Miquel Bassols publicou em seu blog os trabalhos "In a silent way" e "A voz do objeto a" que têm relação com o tema do objeto voz e também me serviram de guia.

Então escolhi o tema que, obviamente, é um tema muito meu, o tema da voz, o tema da minha própria análise, a relação ao objeto voz. Minha investigação foi um percurso em torno de algumas premissas freudianas acerca da pulsão e em torno das referências de Lacan sobre a voz.

CLIPP: Fale um pouco da estrutura do livro.

Ruth Gorenberg: O primeiro capítulo, em que trabalho Freud, se chama "De la palabra: resto mnémico de la palabra oída al fonema". Nele, abordo o conceito de fonema. Está muito ligado à ideia do shofar. Shofar é o instrumento que está na capa do livro; é um instrumento ritual, judeu, um instrumento de vento, é um chifre. E como chegar do conceito de pulsão em Freud ao conceito de objeto a e de fonema em Lacan? O segundo capítulo se chama "Del Che vuoi al shofar". O Che vuoi é uma referência ao Diabo Apaixonado de Jacques Cazotte, um autor de 1700: trabalho o Che vuoi, que inicialmente Lacan coloca no traço do desejo e que até certo momento do ensino tem um estatuto um tanto imaginário. Mas já a partir do final do Seminário 6 estão os indícios de algo de uma vertente real do objeto, e o shofar coroa isso alguns anos mais tarde, porque é a voz do Deus pai, ou seja, já não tem estatuto significante, tem alguma coisa do gozo do pai.

CLIPP: Por que do pai?

Ruth Gorenberg: Isso está na referência que Lacan usa em seu Seminário Inexistente, o Seminário dos Nomes do Pai. Ali ele trabalha uma cena do Êxodo, da Bíblia, que se chama "Akeidat Isaac". É uma cena onde Deus coloca Abraão à prova, pedindo que sacrifique seu filho. Por que a voz de Deus pede isso? Há um sintagma, que Lacan pega da Bíblia, o "sou o que sou". É Moisés que, em certa ocasião, disse a Deus: mas quem é você, qual seu nome? Não tem nome, sou o que sou. Sou quem sou, digamos assim. O gozo é uma alusão à dimensão mais gozante, não tem um nome, não é o nome do pai, que segue a lei, é outro estatuto do pai que aparece ali. Finalmente, Deus diz: será sacrificado um carneiro. E o produto do carneiro é este chifre, o shofar, que vem no lugar. Para Lacan, esse carneiro é um substituto totêmico do pai e o chifre e seu som é um resto.

No capítulo 3, "Lacan y el shofar", estão todas as referências. O quarto capítulo é "La fonetización del Otro". O Outro fonetiza e aí existe uma distinção entre fonetização e fonemização, porque o fonema está mais do lado de lalangue, do lado disso que não é decifrável. Por isso digo a "música de lalangue". Dou várias referências, no livro, do que é o fonema: às vezes não tem carne nem ossos, está nos espaços, nas escansões, nos silêncios mesmo. Todo o livro gira em torno disso, da diferença da fonetização que tem a ver com a linguagem, com a introdução de uma linguagem.

CLIPP: Isso remete a Saussure, não?

Ruth Gorenberg: Com certeza. Há várias referências sobre a linguagem em Lacan e, seguindo Bassols, tomo um autor, Heller Roazen (Ecolalias, sobre el olvido de las lenguas), que afirma que existiria uma espécie de interrupção a partir do momento em que aparece o Outro que fonetiza o sujeito.O sujeito quando chega ao mundo, a criança, o bebê, tem uma possibilidade amplíssima de emitir todo tipo de sons, que é infinita e, no entanto, há um momento, quando se incorpora à linguagem, em que sofre um tipo de amnésia, há uma perda dessa memória para que seja introduzida a linguagem do Outro; isso é a fonetização.

CLIPP: É o que instaura o próprio inconsciente.

Ruth Gorenberg: Todas essas coisas podem ser vistas na criança, como o Outro fala, a família fala, somos falados pelo Outro e, de alguma maneira, a análise implica um desmantelamento dessa linguagem do Outro. Tem de ser feito um trabalho com essa linguagem que, em síntese, tem muito de fantasmático, porque é a maneira como o Outro disse. De que maneira a análise, mediante a transferência, pode desmantelar essas significações? Algo que trabalho muito com relação à voz é a relação som-sentido, onde há um trabalho a ser feito. Em um testemunho de LuisTudanca, reconheço muito isso. É como se houvesse alguma coisa de sentido no som. Os sons também vão adquirindo sentidos. Quando, por exemplo, você fala comigo e eu interpreto que você está brava, o que é isso? É outorgar um sentido fantasmático a um som. O que faz a análise é conseguir, a partir do tratamento do fantasma, um esvaziamento do sentido-som. Há vários testemunhos de passe: por exemplo, o de Anna Aromí. Adoro o testemunho dela e o utilizei muito. Ela diz, a respeito do final da análise que, depois de dar muitas voltas, ela pôde isolar algo no ninar da mãe que, ao invés de acalmá-la e de fazê-la dormir, transmitia-lhe algo do sentimento trágico da vida. Temos aí, então, o som-sentido. O mesmo som que para outro bebê é algo que o faz dormir e o acalma, a angustiava. Mas estamos totalmente imersos nesses sons

No quinto capítulo, "La voz del objeto a: um objeto diferente", abordo o tema da psicose. Como pensar o objeto voz com relação à alucinação. O objeto que não foi extraído e retorna no real. No sexto capítulo, "El analista 'soporte' del discurso analítico", estão os testemunhos de Laure Naveau, Anna Aromí, Luis Tudanca, Marcus André Vieira, Marc Strauss. Utilizo esses testemunhos para articular com a questão relativa ao objeto voz e como foi tratado na análise.

CLIPP: Estes exemplos de passes são de pessoas que tinham o objeto voz como principal?

Ruth Gorenberg: São testemunhos de passe em que se destaca o objeto voz, mas obviamente nunca é um único objeto que está em jogo.

CLIPP: Você também aborda a questão da modernidade, da ciência e da tecnologia.

Ruth Gorenberg: O que coloco em discussão é a pergunta quanto à possibilidade de analisar por Skype ou WhatsApp. Na prática, a verdade é que muitos de nós recorremos a esses recursos nos dias de hoje. Mas, levado a um extremo, parece-me que isso vai além do que é a oferta da modernidade, dos tratamentos pela imagem. Pensamos que não é possível realizar uma análise in absentia ou in effigie. Na verdade, é um questionamento das terapias comportamentais, os coachings que dão indicações, os tutoriais pela internet, tudo o que circula através da imagem. E o que eu digo é que me parece que a relação com o objeto voz é fundamental para o progresso da análise e é necessário que seja na transferência e en-corps. Fundamental é a presença do analista, que permite que a análise se desenvolva.

CLIPP: Quer dizer, não basta somente a voz. É necessário que o corpo do analista esteja presente.

Ruth Gorenberg: Sim, falo aqui da presença do analista, mas principalmente digo que uma psicanálise atravessa a experiência do sonoro, na abordagem do fantasma. Porque, mesmo que seja por Skype, o que importa é o trabalho do analista com relação ao seu próprio objeto voz, resguardado dos fenômenos de sugestão.

CLIPP: Para terminar, quais foram as ressonâncias do livro? Como você tem trabalhado agora a questão da voz, depois dele?

Ruth Gorenberg: No ano passado, apresentei o livro em outubro, em Barcelona. Também foi apresentado por Miquel Bassols e Anna Aromí; isso está na Rádio Lacan. Além disso, Lidia Ramírez, responsável pela Biblioteca de Barcelona, fez uma resenha, publicada na última Freudiana. O livro também foi apresentado na EOL por Luis Tudanca, meu orientador de tese, Fabian Naparstek, Guillermo Belaga e Ines Sotelo. O livro foi apresentado também na sede da NYFLAG de Nova Iorque e causou interesse, realmente tem me aberto muitas portas. Enfim, continua a investigação.

Nesse momento, estou escrevendo minha tese de doutorado, na UBA (Universidade de Buenos Aires) sob a orientação de Inés Sotelo. Continuo trabalhando o mesmo assunto. Agora estou especialmente interessada em articular a questão do objeto voz ao último ensino de Lacan. Alguma coisa nesse sentido está no livro "O imaginário em Lacan" compilado por Luis Tudanca, Graciela Milano, Paula Gil e por mim, publicado este ano pela Grama. Também consta de outro livro que acabou de sair, produto de um cartel integrado por vários colegas da EOL, "Conversaciones sobre Lacan em Bloque", cujo responsável é Leonardo Gorostiza. Este último é produto de três noites na EOL. A primeira noite se chamou "Adeus ao objeto a?" e meu texto intitulava-se "Existe a canção do psicanalista?" Como vocês vêem, continuo no mesmo tema.


Entrevistadoras:
Marizilda Paulino – Diretora Geral da CLIPP
Kátia Ribeiro Nadeau – Diretora de Ensino da CLIPP
Daniela de Camargo Barros Affonso – Diretora de Biblioteca e Publicações da CLIPP


Estabelecimento: Daniela de Camargo Barros Affonso



6 de febrero de 2018

Segundo Coloquio del TyA Internacional. Barcelona 2018. “Enganches y desenganches en las toxicomanías y las adicciones”, por Fabián Naparstek

https://congresoamp2018.com/eventos/segundo-coloquio-internacional-tya/




Sábado 31 de marzo de 2018, Centre de Cultura Contemporània de Barcelona -CCCB-, calle de Montalegre 5, 08001, Barcelona de 9 hs a 16:30 hs.




“Enganches y desenganches 
en las toxicomanías 
y las adicciones”



Desde el comienzo de la elaboración en el TyA hemos partido de la indicación de J. Lacan de 1975 respecto de la droga y el hace pipi[1]. Dicha indicación lacaniana nos ha ayudado por mucho tiempo a pensar la cuestión de las toxicomanías, especialmente en el marco de las neurosis. La llamada tesis de ruptura ha marcado una época en nuestra elaboración. 

De hecho J.-A Miller ha tomado dicha tesis para orientarnos en relación con el goce toxicómano[2]. Podríamos afirmar que esta elaboración ha sido la primera versión sobre las toxicomanías desde la orientación lacaniana elaborada por J.-A. Miller. 

Sin embargo, son múltiples las referencias dadas por J.-A. Miller a lo largo de sus cursos y en diferentes charlas, coloquios o conferencias. Podríamos aseverar que su primera versión sobre las toxicomanías se encuentra enmarcada en la elaboración sobre el falo. No obstante, se puede indicar un segundo momento donde la referencia central ya no es en torno al falo, sino alrededor del objeto a. La época del partenaire síntoma[3] nos trae una nueva versión donde la toxicomanía se formula como un goce a-sexuado[4]. Aquí se trata de la toxicomanía como un “anti-amor”[5]. “La toxicomanía se pasa del partenaire sexual y se concentra, se dedica, al partenaire a-sexuado del plus de goce”[6]. Se sigue de esto, que ya no se trata del falo, aunque la noción de una ruptura con el Otro del amor se encuentra subyacente. Es la prevalencia del a sobre el Ideal.

Empero, en la elaboración de J.-A. Miller podemos encontrar un tercer momento donde ya no habla de toxicomanía, sino de la adicción. En este caso no es en torno al falo o al objeto pequeño a, sino respecto del síntoma en términos del último Lacan. En efecto, en “El ser y el Uno”[7], J.-A. Miller vuelve sobre la cuestión a partir de la iteración del síntoma y a la adicción como el modelo del síntoma en tanto tal. Podríamos aseverar que se trata de un síntoma que está separado del Otro y vacío de sentido. Por lo cual, aquí también tendríamos una noción de la adicción como modo de separación respecto del Otro. No obstante, en este caso es una elaboración mucha más cercana a las prácticas de consumo en el campo de las psicosis; aunque no solo allí.

En resumen, tenemos una primera elaboración de las toxicomanías en torno al falo más cercana a las neurosis, luego una segunda indicación en torno al objeto pequeño a que amplía el campo y una tercera reflexión sobre la adicción alrededor del síntoma y más próxima a las psicosis.

A la par de este recorrido, se puede decir que en la elaboración sobre las psicosis ordinarias y los inclasificables se pone también en cuestión la noción de la tesis de ruptura. Dicha tesis estaba enmarcada en una clínica dis-continuista y en especial sobre el andamiaje fálico. Sin embargo, es desde la perspectiva de una clínica continuista y flexible que nos autoriza a pensar enganches y desenganches con el Otro en el campo de las toxicomanías y las adicciones. Esto último nos ha permitido iniciar un trabajo sobre la función de las drogas en cada caso y en especial con las psicosis. En efecto, encontramos prácticas de consumo que funcionan como un enganche con el Otro o, por el contrario, como un desenganche. Se sigue de esto último que tenemos un desafío nuevo en nuestro campo. La posibilidad de pensar a las nuevas prácticas de consumo actuales desde la orientación lacaniana con los diferentes momentos de nuestra elaboración -ya que estas elaboraciones no desaparecen – y a partir de posibles desarrollos novedosos que la clínica siempre empuja, ya que nos lleva la delantera.

Fabián Naparstek


[1] - Lacan, J.: “Cierre de las jornadas de carteles” (1975), Lettres de l’École freudienne de Paris, n° 18, abril 1976.

[2] - Miller, J.-A.: “Para una investigación sobre el goce autoerótico”, en Sujeto, Goce y Modernidad, Buenos Aires, Atuel, 1993.

[3] - Miller, J.-A.: “La théorie du partenaire”, Quarto 77, Bruxelles. Juilliet, 2002. Miller, J.-A.: “El partenaire - síntoma” Los cursos psicoanalíticos de Jacques – Alain Miller. Buenos Aires, Paidós. Miller, J.-A.: “El síntoma charlatan”, Barcelona, Paidós, 1998.

[4] - Op. Cit. Miller, J.-A.: “La théorie du partenaire”, p. 14.

[5] - Ibid.

[6] - Ibid.


[7] - Miller, J-A.: “El ser y el Uno”, Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller, 2011, inédito.


Responsables del Coloquio: 
Irene Domínguez y José Manuel Álvarez.

Responsable de la Red TyA Internacional: 
Fabián Naparstek.






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4 de febrero de 2018

Equívocos sobre la salud mental, por Gerardo Arenas


Nuestro mundo está hecho de vocablos, sentidos e historias que nos moldean desde antes de nacer. Idioma, nacionalidad, religión y otras nubes de palabras pautan gran parte de nuestra vida. Con los sonidos de la lengua tejemos lazos amorosos, laborales y sociales. Los humanos somos, ante todo y sobre todo, seres hablantes.

El bebé dice bap, y celebramos: ¡Dijo “papá”! Él aprenderá a hablar imitando nuestros sonidos e interpretándolos como lo hacemos, o sea, identificándose con nosotros y aceptando las reglas de nuestra lengua. El efecto de esa identificación y de esa aceptación se llama “sujeto”. Pero hablar produce además el efecto contrario: vuelve a ese niño único para nosotros, sin que podamos poner en palabras su singularidad. En resumen, habitamos el lenguaje tironeados entre unas identificaciones que nos hacen sujetos similares a los demás y una inefable singularidad que nos distingue de todos.

Carecer de singularidad nos aliena, y no ser sujetos de ninguna identificación nos aísla, de modo que soportar el tironeo sin ceder a una u otra fuerza es crucial para la salud mental. Y ésta requiere abordajes no científicos, pues la ciencia excluye tanto lo singular como el sujeto, ¡nada menos que los dos efectos del lenguaje que nos hacen humanos!

Demostrarlo es fácil. Para aceptar que fuerza y aceleración son proporcionales no hay que hacer un experimento, sino muchos (esa ley debe ser universal, no singular). Y para que otros científicos puedan repetir esa prueba, las palabras “fuerza”, “aceleración” y “proporcional” deben significar lo mismo para todos y en cualquier idioma (para ello se usan las matemáticas).

Pero aplicar este buen método a probar que en un psicoanálisis la interpretación chistosa reduce esa rara y molesta satisfacción que el síntoma causa sería ridículo, ya que tal reducción se obtiene de una vez en cada paciente y con una sola interpretación. No hay modo de repetir la prueba en idénticas condiciones (requisito de la ciencia) ni cabría esperar igual efecto (así como la gracia que provoca un chiste se pierde al repetirlo). Abordar científicamente a los seres hablantes es tan absurdo como psicoanalizar virus. ¿Por qué los trabajadores de la salud mental objetan el proyecto de cambiar la reglamentación de la ley nacional 26.657 mediante un decreto presidencial que sólo admite terapias “fundadas en evidencia científica” (sic)?

No por los cargos de reduccionismo biológico y de medicalización del malestar imputados (con justicia) al proyecto, sino porque éste ignora que la ciencia, al ser reflexiva e hipotética, no admite evidencias (o sea, intuiciones indudables), y que su método, según vimos, no se aplica a la salud mental. ¿No protestarían los científicos si un decreto redujera la ciencia a prácticas que aborden la singularidad y la subjetividad de electrones, bacterias y polinomios?

Aplicar el método científico fuera de su campo no es menos grotesco que usar un celular como martillo. Confiar la salud mental a praxis basadas en inexistentes evidencias científicas ignora la naturaleza singular y subjetiva de esos seres hablantes que somos. Y ello atenta contra nuestra dignidad.